Notas de Aula · Corpo e Emoção

Os ombros não mentem

Uma reflexão sobre a prática de hoje no Dojo.

Edson Ramos2 min de leitura

Você pode dizer que está bem.

Pode sorrir, trabalhar, conversar, ensinar, resolver problemas e continuar seguindo a vida.

Mas os ombros sabem.

Tenho observado cada vez mais como nosso corpo revela aquilo que ainda não conseguimos colocar em palavras.

Quando a mente está agitada, o corpo responde.

O coração acelera.
A respiração muda.
A musculatura se organiza de outra maneira.

E os ombros contam a história.

Quando estamos com medo, tristes, inseguros ou tentando nos proteger, existe uma tendência quase instintiva de nos fecharmos.

Os ombros avançam.
O peito diminui.
A cabeça baixa.

É como se o corpo tentasse proteger o coração.

E acho bonito perceber que o movimento contrário também carrega uma mensagem.

Quando sabemos onde queremos chegar, quando desejamos alguma coisa, quando existe confiança, nós nos abrimos.

O peito cresce.

As costas trabalham.

Puxamos para perto aquilo que queremos trazer para nossa vida.

Foi pensando nisso que a prática de hoje no Dojo fez ainda mais sentido para mim.

Existem músculos que empurram.

E existem músculos que puxam.

Talvez possamos olhar para eles para além da anatomia.

Empurrar aquilo que não queremos mais.
Puxar para perto aquilo que queremos cultivar.

Existe ainda um terceiro movimento.

Fechar.

No Yin fazemos isso muitas vezes conscientemente.

Nós nos recolhemos.

Não porque estamos derrotados.
Não porque estamos tristes.
Mas porque, algumas vezes, precisamos diminuir o barulho de fora para conseguir escutar o que está acontecendo dentro.

E a diferença entre as duas coisas é enorme.

Uma coisa é a vida fazer você se fechar.

Outra é você escolher se recolher para se observar.

Talvez seja justamente por isso que práticas de força, respiração e Yin conversem tão bem entre si.

A força nos ensina a sustentar.
A respiração nos ensina a regular.
O Yin nos ensina a escutar.

E nenhuma delas existe apenas para melhorar o corpo.

Elas servem para que possamos perceber o que o corpo vem tentando nos dizer há muito tempo.

Observe seus ombros agora.

Não tente corrigi-los.

Antes disso, pergunte:

O que eles estão tentando proteger?

E depois:

O que eu gostaria de ter coragem de trazer para mais perto de mim?

— Edson Ramos


Às vezes começamos uma prática querendo mudar o corpo.
E terminamos percebendo que era o corpo que estava tentando mudar a gente.

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