Diário · Formação de Professores

O Que É Preciso Para Formar Um Professor

Ninguém sai pronto de formação nenhuma. O que existe é um leque aberto, ferramentas na mão e uma caminhada feita junto.

Edson Ramos2 min de leitura

O que é preciso para formar um professor?

Outro professor? Um mestre? Ou qualquer ser que trilhou o mesmo caminho um pouquinho mais?

A pergunta é simples, mas a resposta é cheia de confusão.

A verdade é que nenhum aluno sai pronto de nenhuma formação. Você pode estudar cinco anos, dez anos, vinte anos. Vai sair mais preparado, mas não pronto. Porque pronto é um estado que não existe. É uma ilusão que vendemos para poder fechar certificados e dizer que aquela pessoa terminou algo.

Mas yoga não termina. Ensinar não termina. Aprender não termina.

De certa forma, o que fazemos é abrir um leque de possibilidades. Compartilhamos a forma que temos feito. Trocamos experiências. E aqui está a verdade simples: o professor também aprende com os alunos.

Quando você forma alguém, você não está passando uma verdade fixa. Você está mostrando uma porta. E quem entra por ali vai descobrir coisas que você nunca descobriu. Vai fazer perguntas que você nunca se fez. Vai trazer soluções que você nunca pensou.

Assim o aprendizado se converte em uma caminhada juntos.

E aí é que eu não gosto da ideia tradicional de mestre e discípulo. Soa muito hierárquico. Soa como se um soubesse e o outro não soubesse nada. Como se houvesse um topo e uma base. Como se o conhecimento fluísse em uma só direção.

Eu prefiro pensar em amigos espirituais.

Porque dessa forma estamos sempre trocando experiências. Sempre aprendendo uns com os outros. Eu tenho coisas para mostrar. Mas meus alunos também têm. Eles sabem do corpo deles de forma que eu nunca vou saber. Eles vivem traumas, têm histórias, fazem conexões que eu não consigo fazer de fora.

Então quando eu estou formando um professor, eu não estou criando uma réplica de mim. Estou convidando alguém para uma jornada onde ambos vamos crescer.

Alguns vão longe e vão além do que eu fui. E isso me alegra. Porque isso significa que o trabalho funcionou. Que aquela pessoa não virou discípula. Virou colaboradora. Virou amiga que trilha o mesmo caminho mas com sua própria direção.

Talvez é por isso que meus alunos ficam melhores do que eu. Porque eu nunca pretendi que eles fossem minhas cópias. Eu sempre mostrei que o caminho era deles também. Que eles tinham o direito de questionar, de experimentar, de descobrir coisas que eu não descobri.

Um professor que forma professores para serem diferentes dele é bravo. É generoso. É alguém que entendeu que o yoga não é sobre perpétua hierarquia. É sobre crescimento mútuo.

Então não, você não sai pronto. Mas sai começado. Sai com ferramentas. Sai com amigos.

— Edson Ramos


E talvez seja exatamente isso
que você precisa.

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