Me dei conta que meus alunos são bem melhores do que eu.
E isso deveria me incomodar. Mas não incomoda.
Existe um acordo antigo entre os seres humanos sobre essa busca espiritual. Alguns se sacrificam por muito tempo para que no futuro esses mesmos seres possam entregar aquilo que eles compreendem. Em troca, seres comuns os alimentam, dão estrutura, o que for preciso para isso acontecer.
Isso é uma escolha. E tem custo.
Mas voltando ao assunto. Sinto que de alguma forma essa troca tem valido a pena.
Porque estou rodeado de gente qualificada. De pessoas que realmente entendem. De praticantes que não têm visão dogmática. Que questionam. Que não aceitam verdade só porque tem um nome em sânscrito na frente.
Estou deixando uma geração mais inteligente mentalmente. Mais flexível. Mais honesta.
E aí está o ensinamento que ninguém quer reconhecer.
Quando você semeia bem, a colheita é sempre melhor do que o plantador. Quando você ensina de verdade, seus alunos te superam. Quando você abre caminho, quem vem depois consegue ir mais longe.
Isso não é fracasso. É exatamente o oposto.
O mestre desaparece nos alunos. Deixa de ser necessário. Se isso dói é porque você ainda queria ser visto. Mas se você realmente fez seu trabalho, você vira invisível na excelência daqueles que você formou.
Talvez tenha me esforçado menos na prática pessoal. Talvez tenha sacrificado algo. Mas aquilo que sacrifiquei virou expertise. Virou estrutura. Virou gerações que sabem mais do que eu.
— Edson Ramos
Não é você ser o melhor.
É você desaparecer dentro daqueles que ficaram melhores.