Tem gente que acha que respiração é coisa de sentar de pernas cruzadas, coluna ereta, mão no joelho. Não precisa ser.
Hoje quero te mostrar duas das quatro respirações do Oss Yoga Breath. A Xamânica e a Circular. E quero que você faça as duas deitado.
Xamânica: o ritmo ancestral
A Xamânica é a respiração da nossa relação ancestral com a natureza e com a vida. Um retorno à dimensão mais instintiva, mais essencial.
O ritmo é médio e constante. Como tambor. Você entra nele e ele começa a te conduzir, não o contrário.
Não é sobre performance. Não é sobre respirar mais forte que o vizinho. É sobre entrar num estado. Depois de alguns minutos, o controle começa a soltar, e é ali que a coisa acontece.
Circular: a respiração que não para
Circular é contínua. Você inspira e já expira. Expira e já inspira. Sem pausa, sem trava, sem aquele intervalinho no fim do ar.
É a respiração da continuidade. Ela fortalece e sustenta a presença ao longo do tempo. Expande sua capacidade e sua resiliência.
Parece a mais simples das quatro. E é, na descrição. Mas sustentar essa continuidade por vários minutos, sem endurecer o corpo, é onde o trabalho de verdade aparece.
Por que deitado
Deitado, o corpo não precisa se sustentar. Nenhuma parte da sua energia vai para segurar a coluna, o pescoço, os ombros. Tudo fica disponível para a respiração.
E tem uma razão prática, de segurança: essas duas respirações podem dar tontura. Deitado, você não cai.
Deite de costas. Se a lombar reclamar, dobre os joelhos e apoie os pés no chão. Nada de travesseiro alto — deixe a garganta livre. E tenha uma manta por perto, porque é comum o corpo esfriar no meio da prática.
O que a prática traz
- Descarrega tensão que estava acumulada sem você perceber.
- Clareia a cabeça. Depois de alguns minutos o ruído mental diminui.
- Solta emoção presa. Às vezes vem choro, às vezes vem alívio.
- Melhora o sono, principalmente se você praticar no fim do dia.
- Amplia a capacidade respiratória e a tolerância ao desconforto.
- Devolve você para o corpo. Que é, no fundo, o que toda prática quer.
O que você pode sentir
Formigamento nas mãos, nos pés, em volta da boca. É normal. As mãos podem até travar um pouco — chama-se tetania, passa sozinho e não machuca. Se acontecer, diminua o ritmo.
Tontura leve, frio, vontade de chorar, sensação de flutuar. Tudo isso cabe dentro da prática.
Se em algum momento assustar, faça o mais simples: volte a respirar normal. O corpo se reorganiza em pouco tempo. Intensidade não é violência — nada aqui precisa virar sofrimento.
Quem não deve fazer
Não faça esta prática se você está grávida, tem epilepsia ou histórico de convulsão, problema cardíaco, arritmia, pressão alta não controlada, aneurisma (seu ou na família), glaucoma ou descolamento de retina, osteoporose grave, fratura ou cirurgia recente, ou se está em fase aguda de um transtorno psiquiátrico.
Se você tem asma, só pratique com a bombinha ao alcance da mão.
Nunca pratique dentro da água, nem dirigindo, nem operando qualquer coisa que exija sua atenção.
Se você tem alguma condição de saúde, converse com seu médico antes. Isto aqui é prática, não é tratamento, e não substitui acompanhamento profissional.
A prática
Separe um lugar onde ninguém vá te interromper. Deite. Dê play. Siga o que eu conduzo, sempre dentro do seu limite confortável.
Prática guiada. Faça deitado, no seu ritmo, e pare se precisar.
Quando terminar, não levante correndo. Fique deitado mais um minuto respirando normal. Deixe o corpo assimilar.
E se você quiser ir além destas duas, as quatro respirações do método estão no Oss Yoga Dojo, em práticas guiadas com trilha e retenções, disponíveis a qualquer hora do dia.
— Edson Ramos
Deite. Respire.
Deixe o corpo lembrar do que ele já sabe.