Dizem que quando estamos perto de conquistar algo é que ocorre o momento de maior satisfação. Mas depois que se conquista? Segundos depois, a mente já se põe a pensar no que vem em seguida.
Um asana. Uma carreira. Qualquer outra coisa. Parece que nunca é suficiente.
E por quê?
Porque a gente deveria se chamar human doing,
não human being.
O ser humano não consegue só ser. Ele precisa fazer algo o tempo todo. É isso que a nossa mente faz. Semelhante aos nossos ancestrais, que precisavam caçar, construir, lutar para sobreviver. Aquela programação ainda está aqui. Dentro de você. Sempre ativa.
Então quando você conquista algo, você não repousa. Você logo pensa no próximo passo. Na próxima meta. Na próxima coisa para fazer. Porque estar parado é estar morrendo para essa mente ancestral.
Mas como você conseguiu chegar onde chegou como professor de yoga?
Fazendo. E fazendo. E fazendo mais ainda. Até que o yoga começou a me explicar algo que nenhum livro conseguiu dizer.
Sentir é muito mais do que a forma. É muito mais do que a beleza do asana. Muito mais do que qualquer outra necessidade de conquista. Quando você sente de verdade, você não precisa provar nada. Você não precisa fazer mais nada.
Porque estar é suficiente.
Mas para chegar ali, você precisou fazer. Precisou praticar. Precisou construir disciplina. Precisou entender o corpo, o movimento, a respiração. Precisou fazer tudo isso até que um dia aquilo virasse ser.
E ali descobri que a nossa mente pode fazer muito. Ela consegue tudo. Mas para isso ela precisa de direção. Ela precisa ser ensinada que ser também é necessário. Tanto quanto simplesmente parar.
Porque parar não é preguiça. Parar não é fracasso. Parar é o segundo passo, depois que você descobriu a importância do primeiro.
Fazer sem ser é apenas agitação. É como dirigir em círculos: você está se movimentando, mas não vai a lugar nenhum.
Ser sem fazer é ilusão. Você não consegue ficar parado enquanto essa programação ancestral grita dentro de você.
Mas fazer consciente, sabendo quando parar, reconhecendo o momento de repouso, de contemplação, de simplesmente estar... aí você descobriu o segredo que o yoga tenta ensinar há milênios.
E como você chega ali?
Você faz. Você faz enquanto precisa fazer. E quando o seu corpo, a sua mente, a sua respiração disserem que é hora de parar, você para. Não porque está cansado. Porque está completo.
Porque finalmente você entendeu que ser e fazer não são opostos. São dança.
— Edson Ramos
E você só aprende a dançar
dançando.