Diário · Tradição e Transmissão

O Preço Real do Ensinamento

Cheguei a um mosteiro zen-budista aos dezessete anos. O que aprendi ali sobre o tempo de cada coisa não cabe em nenhuma tabela de preços.

Edson Ramos4 min de leitura

Cheguei a um mosteiro zen-budista com apenas dezessete anos. Tentei minhas primeiras práticas meditativas ali, senti medo, senti confusão, senti que havia algo ali de que eu precisava, mesmo sem saber exatamente o quê. Depois migrei, fui para o templo budista tibetano em Vargem Grande, e ali conheci meu professor.

Os anos e as iniciações

Após longos anos praticando, após anos de presença constante e após demonstrar dedicação real, consegui receber algumas iniciações. Poucas, nem todas.

Porque essas iniciações não são para qualquer um. São para quem passou pelos rituais de preparação, para quem estudou o suficiente, para quem provou que está realmente ali.

As práticas guardadas

Ao longo desses anos conheci práticas que não encontro em qualquer lugar: Tsa Lung, Kunye, Yantra Yoga, Thrul Khor, Lujong, Sojong, entre outras. Cada uma delas é um universo, cada uma delas exige tempo, dedicação e compreensão.

Nenhuma delas tinha um preço que você simplesmente pagava para receber um certificado pronto. Nenhuma delas funcionava na lógica da oferta e da procura.

Claro que doações eram bem-vindas, porque manter um templo custa, manter uma linhagem viva custa. Mas aquilo nunca foi pague aqui, pegue ali.

O ritual de purificação

O que é interessante dizer é que, para algumas dessas práticas, você passa por rituais de limpeza e purificação, rituais que podem levar de três meses a três anos, dependendo do tempo que você tem disponível para realizá-los.

Três meses, três anos, repetindo a mesma coisa, dia após dia.

Você acha que é por capricho, que é por tradição vazia? Não. É porque, sem aquela limpeza, sem aquela preparação, aquele ensinamento não vai funcionar em você. Vai entrar e sair sem deixar marca.

O ensinamento sobre limitações

Um professor que coloca limitações por preço ou por tempo, que diz que você precisa ter passado por uma coisa para receber a seguinte, que demora a transmitir algo, esse professor sabe algo que você ainda não sabe.

Ele sabe que alguns ensinamentos perderiam o sentido se fossem tratados apenas como oferta e procura, se estivessem acessíveis a qualquer pessoa, a qualquer momento.

Porque nem todo ensinamento é para todo mundo, e nem todo momento é o momento certo. Se você recebe um ensinamento avançado quando ainda está engatinhando, aquilo não vai transformar você. Vai confundir você.

A escolha

E aqui está a pergunta que faço a você de verdade.

O que é melhor, realizar mil desejos ou conquistar apenas um?

Porque aquele que realiza mil desejos nunca fica satisfeito. Sempre quer mais um, sempre persegue a próxima coisa, vive em falta constante.

Mas aquele que conquista um, que realmente encarna aquilo, que faz aquilo virar respiração, esse descobriu algo que mil desejos nunca vão oferecer.

O imediatismo

Às vezes o imediatismo faz com que você se jogue de cabeça em algo simplesmente porque está acessível, porque é barato, porque é rápido, porque está ali esperando por você. E você descobre tarde demais que, na verdade, ainda não era a hora de entrar em contato com aquilo.

Você tomou uma iniciação que deveria ter esperado mais cinco anos para receber, aprendeu uma técnica para a qual seu corpo ainda não estava preparado, recebeu um ensinamento que sua mente ainda não conseguia integrar.

E agora aquilo virou apenas mais confusão na sua mente.

Um planejamento espiritual

Tem vontade de ser um professor de yoga incrível? Pratique, incansavelmente. Pratique até se sentir tão de saco cheio dessa prática que não aguenta mais.

Aí, o que cair desse saco é o que você vai transmitir aos outros, porque aquilo se tornou verdadeiro, aquilo foi encarnado.

Quer dar aula de breathwork, ensinar chi kung, transmitir qualquer coisa? Faça um planejamento espiritual, não um plano de negócios. Um planejamento espiritual.

Entenda que você é apenas um canal, que aquilo que você ensina já existe há séculos, que você é apenas alguém que estudou o suficiente para poder passar adiante. E, com essa humildade e esse respeito, comece.

Nem caro, nem barato

Nem tudo o que é caro é bom, nem tudo o que é barato é ruim. Você só vai conseguir perceber a diferença se o seu nível de consciência estiver expandido o suficiente para isso.

Se você está no nível do consumidor, achando que barato é bom, vai pegar qualquer coisa barata e achar que é ouro, porque, para você, ouro é qualquer coisa que não custa muito.

Se você está no nível de quem já estudou, de quem já viveu, de quem já passou por rituais verdadeiros, vai reconhecer se aquilo que está recebendo é de verdade ou se é apenas uma embalagem bonita.

E a consciência continua se expandindo.

A orientação

Minha dica é esta: escute aqueles que já fizeram, escute quem passou por rituais de verdade, escute quem levou tempo, escute quem não vende soluções rápidas.

Tire suas próprias conclusões sobre aquilo ser ou não para você. Questione, pesquise, observe.

Porque você tem o direito de saber se aquilo que está recebendo realmente vai levar você um centímetro acima de onde está hoje, ou se vai apenas deixar você exatamente no mesmo lugar, com uma história melhor contada.

— Edson Ramos


Nem todo ensinamento é para todo mundo.
Nem todo momento é o momento certo.

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