Reflexão · Foco e Profundidade

O Peso de Querer Fazer Tudo

Querer abraçar tudo parece nobre, mas dispersa. Sobre a profundidade que só nasce da renúncia.

Edson Ramos3 min de leitura

Existe uma armadilha que parece virtude. Querer fazer tudo bem. À primeira vista isso soa nobre. O problema é que quando tentamos abraçar tudo ao mesmo tempo, quase sempre acabamos não aprofundando em nada.

Vejo isso na formação de professores o tempo todo. Alguém começa a estudar Hatha. Logo depois se interessa por Vinyasa. Em seguida descobre Yin Yoga. Depois Rocket, Ashtanga, Kundalini, Breathwork, Ayurveda. Quando percebe, conhece um pouco de tudo, mas não domina verdadeiramente nada.

A profundidade exige renúncia. Isso é o que ninguém quer ouvir. Lao Tsé tinha uma imagem simples e poderosa para isso:

Quem persegue dois coelhos não captura nenhum.

Enquanto você muda constantemente de direção, gasta energia correndo sem realmente chegar a lugar algum.

Hoje percebi que eu mesmo estava caindo nessa armadilha. Tenho ideias para a plataforma, para os cursos, para o aplicativo, para o livro, para a música, para a empresa. Cada projeto faz sentido isoladamente. O problema não é ter muitas ideias. É querer executá-las todas ao mesmo tempo. Resultado? A sensação de estar sempre ocupado e, ao mesmo tempo, de não concluir aquilo que realmente importa.

Maturidade não é aprender a fazer mais. Maturidade é aprender a escolher melhor. Os antigos mestres entendiam isso intuitivamente. Um artesão passava anos aperfeiçoando um único ofício. Um monge repetia a mesma prática durante décadas. Não porque lhes faltavam opções. Porque sabiam que a excelência nasce da repetição consciente.

Vivemos na época oposta. Somos incentivados a aprender tudo, consumir tudo, responder tudo e estar em todos os lugares. Mas conhecimento acumulado não é a mesma coisa que sabedoria.

Hoje decidi algo simples. Toda vez que digo "sim" para uma nova tarefa, também estou dizendo "não" para aprofundar outra. Prefiro construir uma obra sólida do que começar dez inacabadas. No yoga, uma postura praticada por anos revela mais do que cem posturas praticadas superficialmente. Na vida, acredito que acontece exatamente a mesma coisa.

— Edson Ramos


Prefiro uma obra sólida
a dez começadas.

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