Diariamente sento no computador por longas horas.
Faço o site. Programo o app. Crio música. Escrevo apostila. Falo com alunos. Ajudo na administração da escola. Entre outras coisas.
Sei que parece muito. E realmente é.
Mas o que diariamente ponho em prática são duas perguntas que mudaram completamente como eu trabalho. Como eu vivo.
As duas perguntas
A primeira é simples.
O que eu desejo?
Do nada aparece uma lista quase que infinita. Quero um site mais bonito. Quero que o app tenha essa função. Quero uma música melhor. Quero que a apostila seja perfeita. Quero responder toda mensagem no mesmo dia. Quero que a administração rode sem problemas. Quero tudo.
Porque desejo é como isso. É insaciável. É uma máquina que nunca para. Você lista uma coisa, aparece outra. Você realiza uma, já vem a próxima na fila.
Mas aí vem a pergunta chave. A que muda tudo.
O que eu preciso?
E aqui acontece uma magia.
De repente aquela lista infinita de desejos vira finita. Vira pequena. Vira apenas as coisas que realmente importam para que todo o resto ande.
Se o app não funciona bem, ninguém treina. Então o app precisa funcionar.
Se eu não respondo alunos, eles se sentem abandonados. Então responder é essencial.
Se não escrevo, não transmito conhecimento. Então escrever é fundamental.
Agora, terminar cinco músicas diferentes ao mesmo tempo quando só preciso de uma? Refazer o site que já funciona? Adicionar funcionalidades que ninguém pediu?
Desejo. Não necessidade.
O alívio da priorização
A diferença é tudo.
Quando você lista o que precisa, você cria ordem no caos. Você para de lutar contra tudo e começa a focar. E quando você foca, as coisas realmente saem.
Aquela apostila que você quer perfeita? Sai melhor quando você para de tentar fazer dez outras coisas ao mesmo tempo.
Aquele app? Funciona quando você se dedica realmente a ele, não enquanto você tira atenção para outras vinte ideias.
A magia não é em ter menos trabalho. É em fazer trabalho de menos coisas, mas de verdade.
Elevando a pergunta
Essas duas perguntas não funcionam só no trabalho.
Coloque elas como perguntas espirituais.
O que eu desejo nessa vida?
De novo aparece tudo. Quero ser feliz. Quero ser iluminado. Quero ter paz. Quero amar. Quero ser reconhecido. Quero transcender. Quero tudo simultaneamente.
E você fica ali, querendo tudo, alcançando nada.
E então você faz a segunda pergunta.
O que eu preciso para ser feliz nesse momento?
A resposta muda. Porque felicidade não é um destino. É um estado que você cria agora. E para criar isso agora, você não precisa de tudo. Você precisa de muito pouco.
Talvez precisa parar de lutar. Talvez precisa respirar. Talvez precisa estar presente com as pessoas que ama. Talvez precisa dizer não para muita coisa.
E aí o desejo dá lugar ao contentamento.
Contentamento não é desistência. É sabedoria. É você reconhecendo que você não consegue estar em lugar nenhum enquanto tenta estar em todo lugar.
Um passo de cada vez
O alívio que vem desse reconhecimento é real.
Se você não der um passo de cada vez, todo o restante da sua vida pode não chegar a se realizar.
Você quer fazer tudo tão rápido, tão bem, tão perfeito, que no fim você não faz nada direito.
E quando você escolhe o que realmente precisa fazer agora, e foca ali, então aquilo sai. Fica pronto. Você avança.
E depois? Depois você coloca o próximo passo. Que também foi planejado, também foi priorizado.
Essa é a diferença entre alguém que realiza e alguém que fica carregando uma lista infinita de desejos não realizados.
O ensinamento
Essa é uma prática que você pode fazer agora.
Pegue uma folha. Escreva: “O que eu desejo?”. Liste tudo. Sem culpa. Sem julgamento. Tudo que pensa que quer.
Depois escreva: “O que eu preciso?”. E aqui seja honesto. O que realmente precisa ser feito para que tudo mais tenha chance de acontecer?
Você vai notar algo. A primeira lista é longa. A segunda é curta. E naquela lista curta está tudo que importa de verdade.
Agora escolha um. Só um. E faça. De verdade.
A magia não está em ter as respostas perfeitas. A magia está em fazer o trabalho real em cada coisa que você toca.
E quando você toca uma coisa de verdade, com foco, com presença, com compromisso? Aí sim aquilo fica bonito. Aquilo funciona. Aquilo transforma.
Não porque você fez perfeito. Mas porque você fez presente.
— Edson Ramos
E presença é tudo.