Uma aluna entrou em contato comigo.
Disse que queria fazer handstand. Que tinha feito curso com outras escolas, mas que para isso a melhor escolha seria estudar comigo.
E aquilo me fez parar.
Porque no passado eu me questionei muito sobre as críticas que recebia. Diziam que eu ensinava um yoga muito físico. Muito focado no corpo. Muito… não sei, talvez não espiritual o suficiente.
E por um tempo isso me incomodou. Será que eu estava errado? Será que eu deveria focar mais em meditação, em filosofia, em deixar o corpo de lado?
Mas depois entendi meu propósito.
E resolvi assumir. Sim, eu ensino o yoga do esforço físico. Eu ensino Hatha Yoga em seus diferentes estilos. Donde Ha é o sol, o esforço, a força, e Tha é a lua, a entrega, a suavidade. Equilibradas através do corpo.
Porque existe algo que a maioria das pessoas não entende sobre posturas. Não é sobre ser bonito. Não é sobre se parecer com a foto do Instagram.
É sobre o que aquela postura faz dentro de você.
Handstand. Adho Mukha Vrkshasana. A árvore de cabeça para baixo.
Existe uma imagem que representa isso perfeitamente. Uma árvore invertida. Suas folhas e galhos voltados para a terra. Suas raízes voltadas para o céu.
E aquilo é tudo. É uma alusão ao que estamos fazendo aqui. Os frutos precisam ser dados nesta existência. Aqui. Agora. No dia a dia. Na realização prática.
Mas nossas raízes? Nossas raízes precisam vir de algo além. De algo que não é visível. De algo que não é medível. De algo que é transcendental.
Então quando você faz handstand, você não está só invertendo o corpo. Você está invertendo sua percepção. Você está dizendo: meus frutos estão aqui, mas minhas raízes estão no infinito.
É uma prática filosófica através do corpo.
E é por isso que algumas pessoas estão prontas para isso. Porque não vêm apenas para ficar forte. Vêm porque entendem que há significado ali.
Uma coisa eu aprendi como professor. E aprendi porque tive que aprender.
É importante sempre dar ao aluno o que ele precisa. Não o que ele quer.
A maioria vem querendo ficar bonito. Quer handstand porque é legal. Porque vai impor no Instagram. Porque vai parecer forte.
Mas se você realmente ensina, você dá o que aquela pessoa precisa naquele momento. Que talvez seja construir base. Que talvez seja entender respiração. Que talvez seja aprender humildade antes de conseguir voar.
E sim, isso é mais difícil. Porque decepciona no curto prazo. Mas transforma no longo prazo.
Essa aluna que me procurou, ela já fez curso em outros lugares. Mas ela sentiu que aquilo não era suficiente. Que faltava algo. E ela procurou aqui.
Porque aqui não é só técnica. É entender o porquê da técnica. É receber não o que você quer, mas o que você realmente precisa.
E é por isso que ao final, quando você finalmente faz aquela postura, aquilo significa algo. Aquilo transformou você. Aquilo enraizou você.
Porque você não está apenas fazendo yoga físico. Você está vivendo uma metáfora encarnada de uma verdade que existe além do corpo.
— Edson Ramos
Frutos aqui.
Raízes no infinito.
É só isso.