Uma aluna me disse outro dia que não sente necessidade de meditar. Que o Savasana no final da aula já é suficiente.
Entendo de onde vem isso. Depois de deitar, fechar os olhos e respirar por alguns minutos, o corpo relaxa de verdade. A sensação é boa. Parece completo.
Mas não é meditação.
O Savasana que praticamos nas aulas é relaxamento. Profundo, necessário, e parte fundamental da prática — mas relaxamento. O sistema nervoso desacelera, o corpo integra o que foi trabalhado, a mente começa a soltar.
É uma recuperação ativa. E tem valor enorme.
O problema é quando paramos ali.
O Savasana clássico — a postura do morto de verdade — descreve algo completamente diferente. Yoguis que, através de meditação profunda, conseguiam reduzir os batimentos cardíacos a um nível tão baixo que o corpo parecia sem vida. Não era descanso. Era dissolução consciente.
A maioria de nós está longe disso. E tudo bem.
Mas a direção importa.
O relaxamento acalma.
A meditação aprofunda.Um prepara o terreno. O outro é o caminho.
Quando o corpo termina a sequência e deita, existe uma janela. A mente acabou de sair do esforço, o sistema nervoso está mais quieto, a respiração já desacelerou. É o momento mais favorável para sentar e meditar.
Usar esse momento só para descansar é válido. Mas é deixar metade da prática na mesa.
— Edson Ramos
Deitar é necessário.
Sentar é o próximo passo.