Notas de Aula · Técnica e Filosofia

O Savasana não é meditação

Uma observação de aluna que vale uma nota.

Edson Ramos3 min de leitura

Uma aluna me disse outro dia que não sente necessidade de meditar. Que o Savasana no final da aula já é suficiente.

Entendo de onde vem isso. Depois de deitar, fechar os olhos e respirar por alguns minutos, o corpo relaxa de verdade. A sensação é boa. Parece completo.

Mas não é meditação.


O Savasana que praticamos nas aulas é relaxamento. Profundo, necessário, e parte fundamental da prática — mas relaxamento. O sistema nervoso desacelera, o corpo integra o que foi trabalhado, a mente começa a soltar.

É uma recuperação ativa. E tem valor enorme.

O problema é quando paramos ali.


O Savasana clássico — a postura do morto de verdade — descreve algo completamente diferente. Yoguis que, através de meditação profunda, conseguiam reduzir os batimentos cardíacos a um nível tão baixo que o corpo parecia sem vida. Não era descanso. Era dissolução consciente.

A maioria de nós está longe disso. E tudo bem.

Mas a direção importa.

O relaxamento acalma.
A meditação aprofunda.

Um prepara o terreno. O outro é o caminho.


Quando o corpo termina a sequência e deita, existe uma janela. A mente acabou de sair do esforço, o sistema nervoso está mais quieto, a respiração já desacelerou. É o momento mais favorável para sentar e meditar.

Usar esse momento só para descansar é válido. Mas é deixar metade da prática na mesa.

— Edson Ramos


Deitar é necessário.
Sentar é o próximo passo.

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